:: PONTO DE VISTA - COM ROMEU LUIZATTO FILHO ::

ANTES TARDE DO QUE NUNCA

Na semana passada teve início o primeiro curso superior do Centro Federal de Ensino Tecnológico, mais conhecido como Escola Técnica Federal. Muito comemorado, como não poderia deixar de ser, o curso é uma vitória não apenas para o CEFET, mas para toda a região metropolitana e, em particular, para nossa cidade. Inaugurada em 1987, por várias vezes a escola correu o risco de ter suas atividades encerradas em Cubatão, ora por dificuldades do Governo Federal, ora pela falta de apoio e interesse da Prefeitura.

Depois de tantas idas e vindas, o prédio está praticamente acabado e equipado, o que permitiu agora, à unidade de Cubatão, oferecer a primeira faculdade pública federal da região, com um curso em sintonia com as necessidades do pólo industrial. A concre-tização desse projeto só foi possível graças à articulação de lideranças políticas de nossa região, como a deputada Mariângela Duarte e principalmente, Raul Christiano, à época secretário particular do Ministro da Educação, e que, em momentos diferentes, perceberam a importância de uma faculdade pública federal e de qualidade para a Baixada Santista. Nota dez para nossos políticos e autoridades.

Sorte igual não teve o projeto da Poli-USP para Cubatão. A falta de vontade política ou a miopia dos dirigentes municipais da época permitiu que a cidade conseguisse a façanha de jogar pelos ares, não apenas a implantação da primeira faculdade pública na cidade, mas a criação de um grande centro educacional e científico da maior e mais importante universidade brasileira, a Universidade de São Paulo. Projeto inovador, desenvolvido em 1988, inspirou-se na experiência canadense de aproximar a universidade e a indústria.

O projeto previa cursos cooperativos nos quais os alunos alternavam períodos de aulas com estágios. Para propiciar condições de igualdade no acesso às vagas, a Prefeitura, em parceria com a USP, criou um curso pré-vestibular para os estudantes carentes da região. Para os da cidade, foram oferecidos além do curso, apostilas, alimentação, transporte, uma bolsa-auxílio em dinheiro. Dos estudantes cubatenses um bom número conseguiu ingressar na universidade e hoje ocupam importantes cargos, tanto na iniciativa privada como na esfera pública. Durante os três anos que os cursos foram oferecidos na cidade, estudantes de vários municípios do país tentaram estudar na unidade de Cubatão.

Como a Prefeitura não cumpriu o acordo, os cursos foram transferidos a capital. Faltou a nossos políticos entender o papel e o que representaria a universidade pública para nossa cidade e região. Ainda hoje, 9 anos depois de encerradas as atividades em Cubatão, virou moda entre os candidatos se comprometerem trazer de volta a Poli. A lacuna deixada pela saída da USP, tanto no aspecto de desenvolvimento como de geração de emprego, em parte, pode agora ser resgatada pelo CEFET.

(*) Romeu Luizatto é sociólogo e administrador de empresas e-mail: romeuluizatto@ig.com.br

 


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